Projeto ERAS - Enhanced Recovery After Surgery

O século XXI vive um grande desafio: a mudança de paradigma para sustentabilidade e sobrevivência do sistema de saúde. No Brasil, vivemos uma grande mudança no relacionamento dos financiadores da saúde com os hospitais, sejam eles públicos (Ministério da Saúde) ou privados (planos e seguradoras).

A medicina baseada na doença, na qual o aumento do tempo de internação hospitalar acarreta no aumento da receita hospitalar, tem trazido impacto ao sistema de saúde uma vez que não há recursos financeiros para manter o sistema em funcionamento. Para solução deste impasse, há um grande movimento para mudança do modelo fee-for-service para fee-for-value, onde os melhores resultados, menores taxas de complicações e menor tempo de internação hospitalar serão beneficiados. Desta forma, o sistema de saúde passa não mais a valorizar a doença, mas sim, a saúde. O protocolo ERAS é o pilar clínico na implantação deste processo de melhoria e sustentabilidade do sistema de saúde voltado para o paciente cirúrgico, agregando segurança ao paciente, qualidade à assistência, otimização dos recursos financeiros e valor às instituições parceiras.

O termo ERAS é o acrônimo para enhanced recovery after surgery (otimização da recuperação pós-operatória). Este termo é frequentemente utilizado para descrever um programa de cuidados multimodal no período perioperatório1. Alguns autores utilizam o termo enhanced recovery (ER) ou fast-track, sendo este último o termo mais comumente utilizado na América do Norte. Estes programas são compostos por uma série de medidas perioperatórias, baseadas em evidências científicas, que tem o objetivo de ser benéfica ao paciente e que, em conjunto, têm mostrado melhoras nos desfechos cirúrgicos. Recente metanálise demonstrou que o protocolo ERAS, em cirurgias de grande porte reduziu o tempo de recuperação e internação hospitalar em 2 a 3 dias e o número de complicações em 30 a 50%2. A base filosófica por trás do ERAS é a percepção de que o cuidado ao paciente cirúrgico fornecido nos hospitais tradicionalmente funcionam de forma desconexa e independente, não havendo interação e comunicação entre os diversos setores. Este modelo deve ser quebrado para garantir o atendimento linear e contínuo, otimizando o cuidado ao paciente durante a sua jornada perioperatória na internação hospitalar. O protocolo ERAS preconiza a realização de medidas pré-admissionais, pré-operatórias, intraoperatórias e pós-operatórias com o objetivo da redução do estresse metabólico e manutenção da homeostase 3,4. Você está sendo convidado para participar do projeto ERAS Brasil, apoiado pela Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo (SAESP), Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), ERAS Society LATAM e ERAS Society.

REFERÊNCIAS

1. Fearon KC, Ljungqvist O, Von Meyenfeldt M, et al. Enhanced recovery after surgery: a consensus review of clinical care for patients undergoing colonic resection. Clin Nutr . 2005; 24: 466-77.
2. Zhuang CL, Ye XZ, Zhang XD, Chen BC and Yu Z. Enhanced recovery after surgery programs versus traditional care for colorectal surgery: a meta-analysis of randomized controlled trials. Dis Colon Rectum. 2013; 56: 667-78.
3. Ljungqvist O. ERAS--enhanced recovery after surgery: moving evidence-based perioperative care to practice. JPEN J Parenter Enteral Nutr. 2014; 38: 559-66.
4. Ljungqvist O, Scott M and Fearon KC. Enhanced Recovery After Surgery: A Review. JAMA Surg. 2017; 152: 292-8.

Projeto ERAS Brasil

Durante a realização da 53ª Josulbra (Jornada Sul-Brasileira de Anestesiologia), em julho de 2018 em Gramado-RS, foi assinado o Memorando de Entendimentos entre a Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo (SAESP), a Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), a ERAS® Society Latin America Chapter (ERAS® LATAM) e a ERAS® Society (ERAS®).

Atualmente, existem dois hospitais brasileiros com implementação do projeto ERAS (Santa Casa de Porto Alegre e Hospital Vila Santa Catarina – OSS HIAE). Além destes hospitais, foram escolhidos 4 novos centros para implantação do programa no Brasil. Todos os centros escolhidos já manifestaram interesse, cumprem os requisitos e estão com os seus times completos (cirurgião, anestesista, enfermeira e gestor). A saber: INCA – Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (Dra. Ana Cristina Pinho Mendes Pereira); A.C.Camargo Cancer Center (Prof. Dr. Eduardo Henrique Giroud Joaquim), ICESP – Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (Prof. Dra. Claudia Marquez Simões) e Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo (Prof. Dr. Luiz Fernando dos Reis Falcão). Você está sendo convidado para ser parceiro desta iniciativa! Estes hospitais iniciarão o programa ERAS em 2019 com o objetivo de realizar a manutenção dos processos de melhoria e qualidade assistencial com foco na otimização perioperatória, redução de complicações e redução do tempo de internação hospitalar. Além disso, será promovida a investigação científica em nível local, nacional e internacional, por meio da integração de redes de trabalho, seguindo as orientações de funcionamento da sociedade ERAS.

Sua participação neste processo é fundamental para o sucesso da implantação do Programa Eras no Brasil!

Seja muito bem-vindo!

Entre em contato conosco para mais informações: cientifico@saesp.org.br

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