Pesquisa revela extensão e impacto da fadiga na assistência à saúde

Pesquisa revela extensão e impacto da fadiga em consultores hospitalares, enquanto políticos e órgãos de saúde apoiam campanha nacional


Políticos, órgãos de saúde e faculdades médicas de todo o Reino Unido estão apoiando a Campanha Nacional de Combate à Fadiga para ajudar a aumentar a conscientização sobre o impacto da fadiga na assistência à saúde. Ainda há muito a ser feito, como demonstrado pelos resultados da pesquisa publicada em 3 de setembro de 2019, com público alvo de anestesistas e intensivistas. A grande maioria dos entrevistados relatou fadiga relacionada ao trabalho com impacto em todas as áreas da vida e mais de 1 em cada 10 admitiu ter tido um acidente de carro ou quase acidente ao se deslocar nestas condições de cansaço. O cenário é ainda pior com médicos residentes ou recém-formados.

As descobertas da pesquisa de hoje, publicadas na revista Anesthesia, destacam a extensão e o impacto da fadiga entre os 3.847 médicos participantes. Uma pesquisa de 2017 com mais de 2.000 residentes de anestesia revelou que 57% sofreram um acidente ou quase acidente ao voltar para casa depois de um plantão noturno.

Em resumo, a pesquisa constatou que:

• 91% dos médicos que responderam experimentam fadiga relacionada ao trabalho e 50% deles relataram que isso teve um impacto moderado ou grave na saúde, bem-estar, trabalho e vida doméstica.
• 45% dos entrevistados admitiram ter sofrido um acidente de carro ou quase ter sofrido um acidente quando se deslocavam enquanto estavam cansados.
• Apenas um terço (34%) afirmou ter acesso a uma instalação de descanso privada quando estava de plantão.
• 84% dos entrevistados possuem uma escala noturna de plantão (incluindo finais de semana) e 37% também trabalham nos dias de fim de semana regulares.
• Para cerca de um terço (32%), o período mais longo de plantão é de 48 a 72 horas e 32% estão de plantão a cada 8 dias ou mais frequentemente.
• Quando de plantão, cerca de metade (52%) dos consultores saem do trabalho depois das 22h ou residem da noite para o dia; 55% recebem 2 ou mais telefonemas após sair e pouco menos da metade (48%) relatou levar 30 minutos ou mais para voltar a dormir após um telefonema.
• A maioria dos entrevistados (62%) não se sentiu apoiada por sua organização para manter sua saúde e bem-estar.
• Além disso, apenas 15% sempre obtêm 11 horas de descanso entre o término de um turno e o início do próximo (a Diretiva Europeia do Tempo de Trabalho exige que todos os médicos tenham 11 horas de descanso entre as tarefas clínicas).

No Brasil o tema ainda é pouco abordado e muitas vezes visto com preconceito. O médico que quer descansar e adaptar melhor seus horários de trabalho, preservando descanso entre os turnos, muitas vezes não é bem visto pelos colegas e pelas próprias instituições hospitalares que possuem alta demanda destes profissionais.

A SAESP tem uma grande preocupação em abordar a importância do autocuidado do profissional de saúde e reforçar a necessidade de atenção ao tema.

A Diretoria Científica da SAESP apoia a campanha de combate à fadiga da AAGBI (The Association of Anaesthetists of Great Britain and Ireland) e tem priorizado a inclusão do tema nos grandes eventos científicos da sociedade para que possamos criar uma cultura local de preocupação com o cuidado aos anestesiologistas.

Referência - Texto adaptado de:
https://anaesthetists.org/Home/News-opinion/Press/Survey-reveals-extent-and-impact-of-fatigue-on-hospital-consultants-as-politicians-and-healthcare-bodies-back-national-campaign?utm_campaign=352735_Fatigue%20survey%20findings%20in%20consultants%20-%20campaign%20backers&utm_medium=email&utm_source=The%20Association%20of%20Anaesthetists%20of%20Great%20Britain%20and%20Ireland&dm_i=4Y46,7K67,31PVS2,RXFG,1