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Blocker Girl: Sara Amaral fala sobre a importância das redes sociais na anestesia nos dias de hoje

Entrevista

22/08/2022

Com 10,4 mil seguidores do seu perfil profissional no Instagram, Sara Teixeira do Amaral, mais conhecida como Blocker Girl, é referência no uso das redes sociais para divulgação de sua área de pesquisa, a anestesia regional guiada por ultrassonografia. Sempre preocupada com a qualidade do material que publica, tanto na pesquisa quanto de forma visual, a médica luso-brasileira fala com exclusividade à SAESP sobre as suas experiências, importância e cuidados com as redes sociais profissionais, além de dar dicas para os médicos que querem fazer conteúdo para a internet. 

“Atualmente temos informação na palma das mãos, a qualquer hora e em qualquer lugar. Na anestesiologia considero isto especialmente relevante dada a velocidade com que esta especialidade muda e se atualiza. Nada melhor que as redes sociais para acompanhar a velocidade desse avanço”, opina. “As redes sociais funcionam como uma espécie de curadoria, em que a informação científica mais relevante é trazida aos médicos”, completa.

Questionada sobre qual foi a reação dos seus pares ao seu trabalho na internet, Sara conta que sempre foi bastante favorável. “Desde o primeiro dia em que criei a Blocker Girl a receptividade foi positiva, tanto pelos meus pares no Brasil quanto na Europa e Estados Unidos, o meu trabalho tem sido bem-vindo e recebido como algo que as pessoas queriam”, diz.

Mas são necessários cuidados para evitar problemas desde a exposição do paciente até a qualidade do material e o risco de cancelamento. “Quando produzo qualquer conteúdo na minha página, um longo processo de estudo e verificação de fontes bibliográficas ocorre antes, impreterivelmente”, diz. Ela também afirma que nunca publica nada que identifique o paciente, o que é essencial quando falamos de redes sociais de profissionais de saúde. 

Falando da anestesia, especificamente, Sara explica que “existe muita controvérsia no mundo anestésico, devido à volatilidade com que a informação surge e muda. Entendo que eu e os meus seguidores podemos ter opiniões divergentes em alguns assuntos pontuais e, se ambas tiverem fundamento, aceito que ambos podemos estar corretos. Publicar com embasamento científico é a melhor forma de ir contra a cultura do cancelamento”, afirma.

As redes sociais na vida do anestesiologista

A médica afirma que hoje, além das redes sociais terem revolucionado a forma como a informação é entregue, “elas são informação”. E mesmo as revistas científicas mais conceituadas não fogem dessa realidade, elas usam indicadores altimétricos que incluem a quantidade de compartilhamentos no Twitter e Facebook que cada publicação teve, por exemplo.

Contudo, justamente por serem muitos os conteúdos disponíveis hoje, a médica pondera que quem usa redes sociais para se atualizar deve ter um sentido crítico aguçado. “Não se pode acreditar em tudo o que se lê e nem que todas as fontes são credíveis. O profissional de medicina que deseja aprender nas redes sociais deve verificar se o que está a ler veio de fontes científicas credíveis e, principalmente, deve ter o bom senso de saber que se quer aprofundar algum assunto, o estudo deve ser complementado”. Ou seja, “as redes sociais devem ser uma base para direcionar e incentivar o médico a procurar mais conhecimento”, completa.

Sara conta que seu público é majoritariamente formado por anestesiologistas que tiveram pouco ou nenhum contato com a anestesia regional na residência. “Também tenho vários residentes de anestesiologia que me seguem, a maioria no contexto de hospitais que fazem pouca anestesia regional. E, claro, entusiastas de anestesia regional, de forma genérica, independentemente do contexto em que se inserem”, diz.

Dicas da Blocker Girl para produzir conteúdos para internet

Para os profissionais de medicina que buscam repassar seu conhecimento através das redes sociais, a médica aconselha que “antes de publicar qualquer conteúdo de teor científico, o façam com o devido embasamento teórico. Mesmo tocando em assuntos controversos, a abordagem deve ter fundamentação científica”, defende.

“Além disso, devo dizer que produzir conteúdos em redes sociais é algo extremamente trabalhoso e dispendioso em termos de tempo, mas muito gratificante. Incentivar as pessoas a melhorarem a sua técnica, a procurarem mais conhecimento e, principalmente, a aperfeiçoarem o cuidado com o paciente são, para mim, as motivações certas para querer fazer algo deste tipo. Divulgar conhecimento tem um retorno impagável. Se a motivação certa está lá, só posso aconselhar a ir em frente, estudar muito, e não desistir”, finaliza.

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