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Como lidar com o estresse?


Justificamos grande parte do nosso desconforto e más escolhas ao estresse. Em seu nome, comemos e bebemos além da conta, dormimos menos, brigamos, procrastinamos. Mas afinal, o que é estresse?
Estresse é o termo usado para definir a reação fisiológica automática do corpo a circunstâncias que exigem ajustes comportamentais. Em outras palavras, é tudo que tira o indivíduo da zona de conforto.
Estresse e Desempenho
O estresse pode ser e geralmente é benéfico. Robert M. Yerkes, M.D. e John D. Dodson, de Harvard, descreveram pela primeira vez a relação entre estresse e desempenho em 1908. Em níveis apropriados, o estresse aumenta tanto a eficiência quanto o desempenho. A resposta de luta ou fuga é muitas vezes essencial para o sucesso. À medida que o estresse e / ou a ansiedade aumentam, o desempenho e a eficiência também aumentam.


No entanto, quando as situações produzem estresse excessivo, um limite é excedido. Essa sobrecarga de estresse está associada à diminuição do desempenho e da eficiência e se chama distresse.
O distresse estimula o eixo hipotálamo-pituitário-adrenal, liberando adrenalina e noradrenalina, que causam aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial, aumenta a acidez do estômago, contrai vasos sanguíneos, aumenta a coagulação, os músculos se contraem.. o corpo reage como se fosse fugir de um leão...
Mas estamos apenas na fila do supermercado ruminando pensamentos, nos preocupando com tudo que temos que fazer. Assim, ficamos hipertensos, ansiosos, dormimos mal, com dores pelo corpo e muito cansados.


Por onde começar?
Ao examinar nossos relacionamentos e atividades, podemos descobrir o que nos incomoda tanto, onde estamos gastando energia física e mental além do necessário e o que podemos fazer em relação a isso. O caminho para nos sentirmos melhor pode estar mais perto do que pensamos. Queremos cuidar bem dos outros, fazer nosso trabalho bem-feito e desfrutar dos bons momentos. Para isso, é importante estarmos bem. O nosso auto-cuidado deve ser uma prioridade e com organização isso é possível.
Podem auxiliar bastante nesse processo:

Atividade física: libera endorfinas, que dão a sensação de bem-estar, melhora o sono, melhora o condicionamento físico e a imunidade, além de dar uma mão no gerenciamento do peso.


Alimentação: o consumo frequente de alimentos com muito açúcar e gordura liberam uma grande quantidade de calorias na corrente sanguínea de uma vez, criando um mecanismo vicioso, no qual ele sempre gera fissura para receber essa overdose de macronutrientes. Ao contrário, uma alimentação rica em vegetais, com fibras e vitaminas , diminui a compulsão alimentar, dá mais disposição e não dá a sensação de cansaço após as refeições.
Sono: dormir menos de 6 horas por dia diminui a capacidade de raciocinar e fazer boas escolhas, gera compulsão por carboidratos e não permite que aconteçam os processos fisiológicos para a recuperação do organismo.
Compartilhar momentos: sejam eles bons ou ruins, faz toda a diferença poder contar com um adulto importante para nós. Isso traz mais qualidade de vida e , segundo estudo da Universidade de Harvard, é um fator protetor contra o estresse e é o principal fator associado a maior grau de satisfação com a vida. E se os seus relacionamentos estiverem problemáticos, veja de que maneiras pode transformá-los.


Momentos de descompressão: reservar momentos para realizar o que gosta, isso não é luxo, é uma questão de viver uma vida que valha a pena.
Acompanhamento psicológico: para ajudar a lidar com falsas crenças e com temas difíceis de lidar sozinho.
Acompanhamento psiquiátrico: para um diagnóstico apurado e tratamento adequado, sem os riscos da auto-medicação.
*Resposta de Relaxamento*
Nos anos 60 os médicos não acreditavam que o estresse poderia afetar a saúde física. Dr. Herbert Benson, cardiologista da Universidade de Harvard, iniciou um estudo para avaliar se o estresse elevava a pressão arterial. Sabendo disso, um grupo de praticantes de meditação pediu para ser estudado, pois acreditavam que tinham a pressão arterial baixa devido às práticas meditativas. Foi assim que na mesma sala em que fora descoberta a Resposta de Luta e Fuga 50 anos antes, ele descobriu

a Resposta de Relaxamento, que é um ponto em comum em diversas práticas meditativas religiosas ou não.
Os três passos da Resposta de Relaxamento
Passo 1: FOCO na repetição de um som, frase, palavra, oração ou movimento enquanto respira de maneira profunda e confortável.
Passo 2: afastar gentilmente pensamentos que surgirem e retornar ao FOCO
Passo 3: não julgar, apenas sentir
A resposta de relaxamento pode ser evocada em diversas situações: ao realizar respirações profundas, relaxamento muscular, correndo, bordando, colocando o bebê para dormir, amamentando. Desde que você possa se fixar apenas no foco, a Resposta de Relaxamento pode ser realizada. É uma técnica simples e que pode ser realizada em qualquer momento.
A dose ideal é de 20 minutos acumulados ao longo do dia. O início pode não ser muito fácil, mas mesmo que não consiga fazer 20 minutos, os efeitos já se fazem presentes. É um treino para o cérebro!


Como ela funciona?

Durante o distresse, nossa mente trabalha sem parar, ruminando pensamentos, cheia de pensamentos vagantes que na maioria das vezes são desagradáveis. Isso gera a resposta fisiológica do estresse.
Na resposta de relaxamento fazemos o caminho inverso. Diminuímos o ruído na nossa mente e geramos o efeito contrário no organismo:
Reduz o metabolismo
Diminui a frequência cardíaca
Diminui a frequência respiratória
Aumenta a atividade no córtex cerebral

No distresse, nossas ações são mais impulsivas, mais emocionais , os estímulos se concentram mais na parte do cérebro que gera mais medo e ansiedade, a amigdala cerebral. Com a meditação, o córtex do cérebro fica mais ativo, de modo que nossas ações se tornam mais conscientes e conseguimos fazer escolhas melhores. Isso é muito importante para o nosso dia-a-dia e nos ajuda a quebrar o ciclo do estresse.

Para o tratamento do distresse, muito mais do que nos sedarmos com comida, álcool, redes sociais e streaming, precisamos acordar para as nossas necessidades básicas, identificar o que estamos fazendo a favor e contra o futuro que desejamos e começar a fazer as escolhas que nos levarão à direção certa. A vantagem é essa: é possível e está nas nossas mãos.



Webinar SAESP-EV

A Dra. Sley Tanigawa Guimarães é Presidente do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, em São Paulo. Em conversa ágil e interessante com o Dr. Marcelo Vaz Perez, Diretor de Comunicação da SAESP, foi discutido sobre o que é ou não é Medicina do Estilo de Vida e principalmente, como aplicar na prática e no dia a dia do profissional. A importância do autocuidado, inclusive ao profissional de Saúde, é o tema central dessa conversa.

Ouça agora mesmo!

 


Podcast SAESP

Dia 03 de maio, a SAESP apresentou um Webinar totalmente dedicado ao tema de “Estilo de Vida”. Com apresentação da Dra. Rita de Cássia, este Webinar contou com a presença da Dra. Sley Taginawa, Dr. Luiz Gustavo Vala Zoldan e Dr. Gastão Duval.

“O trabalho de um bom médico envolve diversos desafios: estar sempre atualizado, técnica e cientificamente [...]. O Bom médico tem que estar apto e disponível para longas jornadas de trabalho. Conviver pacificamente com os colegas. Lidar com extensas burocracias. E mais do que tudo, temos que cumprir a missão de médico de ser acolhedor, empático e solidário.”

Aquém de todas as perspectivas e dificuldades, é possível ser um bom profissional? É possível preservar os laços familiares e a saúde mental? É sobre isso que você vai acompanhar neste Webinar!

Adicionar cada texto em seu respectivo lugar!