Seminário “Anestesia e o Brasil – Um Aperto de Mãos na Política de Segurança da Anestesia Brasileira”

Representantes das sociedades médicas e governo abordam as condições de
trabalho e as formas para ampliar o número de profissionais no mercado

 

Preocupadas com a falta de médicos anestesistas no mercado e com as iniciativas que podem comprometer a qualidade da formação dos profissionais da área, a Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) e a Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo (SAESP) promovem nesta sexta-feira, 20 de março, em São Paulo, o Seminário “Anestesia e o Brasil – Um aperto de mãos na política de segurança da anestesia brasileira”.

Os debates contam com representantes da SBA e SAESP, e de outras sociedades médicas, como Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Médica Brasileira (AMB), Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Participam, também, membros do Senado Federal, dos Ministérios da Saúde e Educação, da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, do Ministério Público de Goiás, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

O objetivo é analisar o cenário atual da anestesia no Brasil, além de apresentar propostas que ampliem os níveis de qualidade e segurança dos pacientes e aumentem o número de médicos anestesistas no mercado.  As discussões serão divididas em três eixos: Residência Médica e Especialização em Anestesiologia; a Segurança do Paciente; e o Mercado de Trabalho.

Mais profissionais, com qualidade

A maior preocupação dos representantes da SBA e SAESP tem sido a oferta de cursos de especialização destinados a pessoas sem formação médica, contrariando as diretrizes do Ministério da Educação. Atualmente, para exercer a atividade, após os seis anos do curso de medicina, o profissional precisa passar por mais três de residência ou especialização.

“Para manter essa qualidade na formação e aumentar o número de anestesistas no País, uma das propostas em análise pela SBA e pela SAESP é a ampliação do número de médicos em especialização com objetivo de colocar no mercado, em um curto prazo, entre três mil e quatro mil profissionais, utilizando a estrutura existente”, afirma o presidente da SBA, Oscar César Pires.

Outro ponto é o desconhecimento geral sobre a atuação e a importância do médico anestesista no Brasil. “Esse cenário leva a um quadro de falta de informação por parte do paciente, que se torna incapaz de cobrar direitos e garantias mínimas frente às instituições de saúde. Ao mesmo tempo, permite que surjam propostas que comprometem seriamente a formação profissional na área, em prejuízo da segurança e da qualidade dos procedimentos”,  explica o presidente SAESP, Enis Donizetti Silva.

Anestesia: área crítica

A anestesia é uma das áreas mais críticas da medicina. Apesar disso, a importância da atividade e o trabalho realizado pelos médicos anestesistas são desconhecidos pela população em geral. O Brasil não possui dados nacionais sobre eventos adversos (EA) relacionados à atividade. Nos Estados Unidos, o número de óbitos ocasionados pelos EA alcança 400 mil por ano, configurando a quarta causa de morte no país, atrás apenas do câncer de mama, de próstata e de pulmão.

“No Brasil, muitas vezes, as condições de trabalho do médico anestesista são ruins, em detrimento da segurança dos procedimentos”, afirma o presidente da SAESP. “Por isso, já iniciamos um mapeamento deste quadro e, em breve, faremos um novo levantamento sobre a ocorrência dos chamados eventos adversos”, conclui.

SERVIÇO:

Seminário “Anestesia e o Brasil – Um aperto de
mãos na política de segurança da anestesia brasileira”
Data:         20 de março (sexta-feira)
Local:        Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa (IEP/HSL) –     Anfiteatro
Endereço:  Rua Prof. Daher Cutait, 69 – Bela Vista – São Paulo
Horário:     8h30 às 17h00