Protagonismo Feminino na Anestesiologia
Em 1957, a Dra. Leonor Horta de Figueiredo se tornou a a primeira mulher a receber a Titulação em Especialista em Anestesiologia no Brasil, desafiando barreiras em um campo dominado por homens e abrindo portas para uma revolução silenciosa nas salas de cirurgia. Agora, segundo o relatório Demografia Médica no Brasil 2025, pela primeira vez, a projeção é que as mulheres representem 50,9% de todos os médicos.
Pioneiras que fizeram história
A consolidação do protagonismo feminino na anestesiologia é resultado de trajetórias construídas ao longo de décadas por mulheres que ocuparam espaços inéditos e deixaram contribuições duradouras para a especialidade. Entre esses nomes, destacam-se:
Carmen Navaes Bello – referência por sua atuação em cirurgias de alta complexidade, incluindo a anestesia no primeiro transplante renal realizado no Brasil realizada no dia 16 de abri de 1964, no Hospital dos Servidores do Estado (HSE) do Rio de Janeiro;
Eugesse Cremonesi – nome relevante na formação e ensino em anestesiologia, cuja atuação impactou gerações de profissionais. Em 1967, a Dra. Cremonesi criou a Disciplina de Anestesiologia;
Maria A. Tardelli – primeira presidente mulher da SAESP, liderando o biênio 1994-1995, depois de 44 anos do primeiro presidente da Sociedade;
Nádia Maria da Conceição Duarte – primeira e única mulher a assumir a presidência da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) em 2011, após 62 anos de existência da instituição.
Na SAESP, o protagonismo feminino também ganha força e visibilidade, refletindo uma transformação estrutural na forma de cuidar, ensinar e fazer anestesiologia no país.
A consolidação do protagonismo feminino e os desafios ainda existentes na anestesiologia.
O crescimento da participação feminina na anestesiologia não se limita ao aumento numérico de médicas na especialidade. Ele se manifesta, sobretudo, na ocupação de espaços estratégicos e na construção de trajetórias sólidas em diferentes frentes da atuação profissional.
Esse protagonismo resulta em impacto direto na qualidade assistencial. Evidências internacionais mostram que equipes diversas, em gênero e perfil profissional, tendem a ter melhor comunicação e maior eficiência na gestão de risco e na aderência a protocolos de segurança, fatores essenciais em uma especialidade que atua em momentos críticos do cuidado ao paciente.
Para Dra. Carolina Baeta, Diretora de Eventos da SAESP, essa evolução é perceptível na prática cotidiana. Desde que entrou na residência médica em anestesiologia, ela observou mudanças drásticas em grupos que antes não permitiam a entrada de mulheres, muito menos que elas participassem em posições de liderança, e destaca que, hoje, muitas dessas equipes contam com mulheres não apenas na assistência diária, mas também em cargos de chefia e gestão, além de avanços importantes, como a licença-maternidade remunerada.
“Trabalho em um grupo de anestesia predominantemente feminino, formado por mulheres muito estudiosas e competentes. Engravidei do meu terceiro filho assim que entrei no grupo e, em nenhum momento, fui questionada quanto às minhas prioridades ou à minha capacidade de conciliar trabalho e vida pessoal”, conta Dra. Carolina.
Apesar dos avanços, o caminho para a equidade plena ainda impõe desafios relevantes. Segundo Dra. Baeta, esses obstáculos se estendem até nos processos seletivos em que ainda é frequente que as mulheres sejam questionadas sobre maternidade: se desejam ter filhos, quem ficará com eles enquanto trabalham ou o que acontece quando uma criança adoece. Esse cenário reforça a importância de ampliar debate sobre essa pauta para que as anestesiologistas não apenas ocupem espaços, mas contribuam ativamente para redesenhar o futuro da especialidade.
SAESP como espaço de liderança, representatividade e formação.
A Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo tem papel central na organização da especialidade e, consequentemente, na valorização do protagonismo feminino. Ao incentivar a participação de anestesiologistas mulheres como conferencistas, organizadoras de mesas-redondas e autoras de conteúdos científicos, a SAESP contribui para romper o chamado “teto de vidro” – a barreira invisível que, historicamente, limitou a ascensão de mulheres a posições de maior visibilidade e decisão.
Na educação continuada, a presença feminina também é destaque. Em cursos práticos, workshops, programas de atualização e ações voltadas a residentes, é cada vez mais comum ver mulheres liderando discussões em temas de alta complexidade.
Para Dra. Carolina Baeta, a representatividade institucional tem impacto direto na formação das novas gerações: “A presença de mulheres em posições estratégicas em sociedades médicas como a SAESP diz muito sobre como essas sociedades se posicionam. Para quem está iniciando a trajetória na anestesiologia, é incentivador ver mulheres que constroem carreiras de sucesso, com comprometimento e responsabilidade”.
Esse cenário reforça uma mensagem importante para as novas gerações: a anestesiologia é um campo de excelência técnica, pesquisa e liderança acessível a todas e todos, e a SAESP é um ambiente em que as mulheres podem construir trajetórias sólidas, reconhecidas e influentes.
Caminhos para o futuro: inclusão, equidade e novas referências
O protagonismo feminino na anestesiologia não é um ponto de chegada, mas um processo em expansão. Ainda existem desafios relevantes, como desigualdades salariais, menor ocupação de alguns cargos estratégicos, sobrecarga decorrente de dupla ou tripla jornadas e a necessidade de ampliar redes de apoio e mentoria para jovens anestesiologistas.
Nesse contexto, a SAESP se coloca como agente ativo de transformação ao estimular a participação de mulheres em processos decisórios internos e em instâncias externas de representação, incentivar a formação de redes de mentoria e conectar anestesiologistas experientes a residentes e recém-especialistas. Cada anestesiologista que assume a coordenação de um serviço, lidera uma pesquisa, representa a especialidade em fóruns científicos ou inspira novas gerações contribui para o fortalecimento da anestesiologia como um todo. Ganha a especialidade, ganham as equipes e, sobretudo, ganham os pacientes.
O protagonismo feminino na anestesiologia é hoje uma realidade incontornável e um vetor essencial de evolução. Ao reconhecer, apoiar e ampliar esse movimento, a SAESP reafirma seu compromisso com uma anestesiologia cada vez mais diversa, inovadora, humana e alinhada aos desafios do futuro.
Conheça mais sobre a SAESP.
Fonte: SAESP