A valorização dos honorários médicos é essencial para a sustentabilidade da prática anestesiológica no Brasil. Em 4 de dezembro, a Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo (SAESP) participou ativamente da reunião virtual promovida pela Associação Paulista de Medicina (APM), dedicada à apresentação dos reajustes negociados com operadoras de planos de saúde para 2026.
O encontro representou um avanço estratégico na defesa profissional e consolidou mais um passo no movimento institucional pela recomposição e valorização do trabalho médico.
Representação ativa e posicionamento da SAESP
A SAESP foi representada pelo Dr. Guinther Giroldo Badessa, Diretor de Defesa Profissional, reforçando o compromisso da entidade. Segundo o Dr. Guinther Badessa, “a pauta dos honorários médicos é histórica e central para a sustentabilidade da prática médica no Brasil”.
A SAESP participou de forma ativa, técnica e institucionalmente posicionada ao longo de todo o processo. A atuação da Sociedade esteve fundamentada em três eixos essenciais:
– Recomposição inflacionária real, diante da defasagem acumulada ao longo dos anos, especialmente em especialidades de alta complexidade e responsabilidade técnica, como a anestesiologia;
– Impacto assistencial da desvalorização profissional, uma vez que honorários inadequados comprometem a sustentabilidade dos serviços, a organização das equipes médicas e, consequentemente, a segurança do paciente;
– Argumentação técnica e econômica, baseada no aumento dos custos operacionais, na ampliação da carga regulatória, nos riscos ocupacionais e na crescente judicialização da prática médica.
Como destacou o Dr. Guinter Badessa, “a discussão sobre honorários não pode ser reduzida a uma lógica meramente financeira. Trata-se de uma política estruturante de valorização do trabalho médico e de preservação da qualidade assistencial”.
Resultados das negociações: avanços e desafios persistentes
A Comissão, liderada pela APM, apresentou os resultados das negociações referentes a 2025, conduzidas com o apoio estratégico da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), via Departamento do Complexo Produtivo e Econômico da Saúde e Biotecnologia (deComSaúde), o que fortaleceu as tratativas e gerou avanços.
Como resultado direto, 16 operadoras e autogestões encaminharam propostas formais de melhoria nos honorários médicos, sinalizando reconhecimento da defasagem histórica e da necessidade de recomposição gradual dos valores de consultas e procedimentos. Por outro lado, algumas operadoras não apresentaram propostas satisfatórias ou não atenderam às solicitações formais da APM.
O cenário evidencia disparidade de posturas entre as operadoras e reforça a necessidade de monitoramento permanente. Durante o encontro, discutiu-se inclusive a possibilidade de criação de um ranking de desempenho, com o objetivo de conferir maior transparência às negociações e ao posicionamento de cada plano de saúde diante da pauta de valorização médica.
Paralelamente às negociações com as operadoras, a Associação Médica Brasileira (AMB) e a APM retomaram as discussões com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) acerca da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). O objetivo é obter um parecer técnico-jurídico que afaste interpretações anticoncorrenciais relacionadas ao uso da classificação.
Valorização profissional como princípio inegociável
A recomposição dos honorários médicos não constitui uma demanda corporativa isolada. Trata-se de uma condição essencial para assegurar qualidade assistencial, segurança do paciente e sustentabilidade do sistema de saúde.
Para o Dr. Guinther Badessa, o movimento é contínuo e estruturante: “O cenário reforça que a valorização dos honorários médicos é um processo técnico e institucional permanente. A SAESP seguirá acompanhando de forma criteriosa as propostas apresentadas, estimulando a adesão das operadoras que ainda não se posicionaram e defendendo uma negociação coletiva baseada em transparência, previsibilidade e respeito ao ato médico”.
A SAESP reafirma seu compromisso com uma atuação firme, técnica e responsável na defesa dos anestesiologistas, mantendo diálogo institucional permanente e fortalecendo estratégias que promovam o reconhecimento adequado do ato médico.
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Fonte: SAESP