Pular para o conteúdo principal

SAESP – Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo

Dia Mundial da Segurança do Paciente: na anestesia, segurança é uma construção compartilhada 

Segurança do Paciente

Compartilhe esta notícia

Em 2026, o Dia Mundial da Segurança do Paciente, celebrado em 17 de setembro, tem como foco o cuidado seguro para doenças não transmissíveis (DNTs), com o slogan “Cuidado seguro para a vida!”, mas também nos convida a olhar para a segurança de forma ampla, como parte essencial da assistência em saúde.

Pensando nisso, para abordar esse tema e sua importância na prática da anestesia, convidamos a Dra. Regiane Dias Xavier, coordenadora do Núcleo de Qualidade e Segurança da SAESP, para falar sobre os principais aspectos envolvidos na construção de um cuidado mais seguro para profissionais e pacientes.

Na anestesia, esse compromisso está presente em todas as etapas do cuidado: começa antes da cirurgia, acompanha o paciente durante o procedimento e continua no período pós-operatório.

Segurança começa antes da cirurgia

Um dos principais pilares para reduzir riscos é a avaliação pré-anestésica adequada. Nesse momento o anestesiologista conhece melhor o paciente, identifica comorbidades, alergias, medicamentos em uso, características da via aérea e outros fatores que podem interferir no procedimento.

Mais do que simplesmente determinar se o paciente está apto para a cirurgia, permitindo construir um plano perioperatório individualizado, antecipando riscos e definindo estratégias para diferentes cenários.

“Antecipar é planejar, e planejar é uma barreira de segurança”, destaca a Dra. Regiane.

O planejamento também envolve pensar previamente em possíveis dificuldades e definir alternativas: quais equipamentos estarão disponíveis, quais estratégias de resgate poderão ser necessárias e como a equipe deverá agir diante de uma mudança na condição clínica do paciente.

A segurança depende ainda de um ambiente de trabalho organizado e preparado. Medicamentos, equipamentos e materiais precisam ser conferidos, e as estratégias de cuidado e de resgate devem ser comunicadas à equipe.

Nesse contexto, os momentos de checagem não devem ser vistos como burocracia. Eles funcionam como barreiras de segurança, ajudando a equipe a se preparar para situações distintas.

Para o anestesiologista, participar ativamente desses processos é fundamental, já que ele acompanha o paciente durante todo o procedimento e precisa estar atento às mudanças do cenário clínico e cirúrgico.

Da segurança medicamentosa às pequenas atitudes

Na anestesia, os medicamentos estão presentes em praticamente todas as etapas do cuidado, tornando a segurança medicamentosa uma prioridade. Erros podem ocorrer na escolha, dose, via ou administração. Medidas simples, como organização, identificação e conferência antes do uso, reduzem esses riscos.

A preparação é essencial diante de emergências. Prever dificuldades de via aérea, alterações hemodinâmicas ou outras complicações permite que o profissional esteja mais apto para agir.

“Se eu me organizo antes e imagino cenários de emergência e de dificuldade, vou minimizar o estresse e, com certeza, ter um desfecho melhor para o paciente”, explica.

A segurança também está nas pequenas atitudes do dia a dia, como higiene das mãos, antibioticoprofilaxia adequada, manutenção da normotermia e controle da glicemia. Embora possam parecer simples diante de procedimentos complexos, essas medidas contribuem para prevenir complicações.

A transição do cuidado é outro ponto fundamental. A responsabilidade do anestesiologista não termina com a extubação ou a interrupção dos medicamentos anestésicos.

Na transferência para a recuperação pós-anestésica, unidade de terapia intensiva ou outro profissional, é essencial garantir uma comunicação clara e completa, com informações sobre riscos identificados, intercorrências, condutas realizadas e cuidados necessários.

“A transição do cuidado é uma das maiores fragilidades que vemos hoje na atualidade”, afirma.

Uma boa passagem de informações garante que as barreiras de segurança continuem funcionando mesmo depois que o paciente deixa a sala cirúrgica.

O paciente também participa

A segurança não é responsabilidade exclusiva dos profissionais de saúde. O paciente pode contribuir ativamente para tornar sua anestesia mais segura.

Para isso, é importante que se sinta informado, ouvido e à vontade para fazer perguntas. Informações sobre alergias, medicamentos em uso, doenças preexistentes, cirurgias anteriores e experiências com anestesia devem ser compartilhadas com a equipe.

É fundamental compreender e seguir as orientações recebidas, como o período de jejum, o uso ou suspensão de determinados medicamentos e a realização de exames.

A comunicação deve ser uma via de mão dupla: o profissional precisa explicar o motivo das orientações e esclarecer dúvidas, enquanto o paciente deve fornecer informações completas sobre sua saúde.

“Um paciente extremamente seguro é um paciente bem informado, aberto para falar de suas dúvidas e que se sinta ouvido”, ressalta a Dra. Regiane.

A construção dessa relação pode ser um desafio para o anestesiologista, especialmente porque o contato com o paciente muitas vezes acontece pouco antes da cirurgia. Por isso, a consulta e a visita pré-anestésica são momentos fundamentais para estabelecer confiança e identificar informações que podem modificar o planejamento anestésico.

Explicar ao paciente por que determinado exame foi solicitado, quais são os riscos envolvidos ou outras informações importantes para o procedimento faz com que ele compreenda a importância de sua participação.

Segurança é mais do que evitar erros

Para a Dra. Regiane, a cultura de segurança deve ir além da ideia de simplesmente evitar erros. O objetivo é construir ambientes e processos que favoreçam a atuação segura dos profissionais e a melhoria contínua da assistência.

Isso envolve identificar e comunicar riscos, planejar, trabalhar em equipe, envolver o paciente, notificar situações de risco e aprender com cada experiência. Uma situação que não provocou dano não deve ser ignorada; reconhecer e comunicar riscos permite que melhorias sejam implementadas antes que um evento adverso aconteça.

“Precisamos deixar um ambiente mais seguro para que o profissional de saúde consiga exercer sua atividade da forma mais segura possível — para ele, para toda a equipe e, principalmente, para o paciente”, explica.

Quando profissionais e pacientes trabalham de forma colaborativa, a segurança deixa de ser apenas um protocolo e passa a fazer parte da própria experiência de cuidado.

A mensagem é clara: segurança é uma responsabilidade compartilhada.

Outras notícias

plugins premium WordPress

SOBRE A SAESP

GESTÃO E LIDERANÇA

TRANSPARÊNCIA E DOCS

APOIO E DESENVOLVIMENTO

BIBLIOTECA TÉCNICA E PARECERES

INSTITUCIONAL DO ASSOCIADO

EDUCAÇÃO E EVENTOS

ENSINO À DISTÂNCIA

PARCERIAS INTERNACIONAIS

CENTRO DE SIMULAÇÃO