Os recentes avanços científicos e estudos sobre PBM (Patient Blood Management) têm transformado a forma como hospitais e equipes médicas conduzem o manejo perioperatório em todo o mundo. Mais do que reduzir transfusões sanguíneas, o conceito propõe uma nova cultura de cuidado centrada na segurança, individualização e melhores desfechos clínicos.
Segundo a Dra. Roseny Rodrigues, o PBM é uma abordagem integrada e multidisciplinar que busca otimizar a gestão do sangue e dos hemoderivados, minimizando a necessidade de transfusões. “Nos últimos anos, o PBM ganhou destaque devido à crescente conscientização sobre os riscos associados às transfusões, como reações adversas e infecções, além da necessidade de melhorar a segurança e a eficácia dos cuidados perioperatórios”, destaca.
Estudos recentes têm demonstrado que transfusões muitas vezes podem ser evitadas com estratégias adequadas de conservação sanguínea, incluindo otimização da eritropoiese, controle rigoroso da hemostasia e monitorização mais precisa do paciente cirúrgico. Para a doutora, isso vem mudando diretamente a atuação da anestesiologia moderna.
“Hoje existe uma reavaliação importante das diretrizes e práticas anestésicas. O foco passou a ser uma abordagem mais conservadora, baseada em evidências e centrada no paciente”, afirma a Dra. Roseny.
Apesar da evolução do tema, ela alerta que ainda existe uma cultura de transfusão excessiva em diversas instituições hospitalares. “Muitas vezes isso acontece por práticas tradicionais e pela falta de conscientização sobre os riscos associados às transfusões. O PBM surge justamente para transformar essa mentalidade, promovendo educação contínua e protocolos mais criteriosos.”
Dentro da anestesiologia, o anestesiologista passou a ocupar um papel ainda mais estratégico nesse processo. Desde a avaliação pré-operatória até a condução intraoperatória e o pós-operatório, a especialidade atua diretamente na otimização hemodinâmica, controle de perdas sanguíneas e tomada de decisão transfusional.
“O anestesiologista tornou-se um verdadeiro defensor da conservação sanguínea e da transfusão restritiva. Sua participação ativa é essencial para garantir segurança e melhores resultados ao paciente”, explica.
Os benefícios do PBM também já aparecem de forma consistente nos estudos publicados nos últimos anos. Entre os principais resultados observados estão redução de complicações relacionadas à transfusão, menor tempo de internação, recuperação mais rápida e melhora dos desfechos cirúrgicos.
No Brasil, o movimento também vem ganhando força. Diversas instituições passaram a adotar protocolos estruturados de PBM, impulsionados por iniciativas educacionais e pela atuação de sociedades médicas.
Para a Dra. Roseny, treinamento prático e atualização contínua são fundamentais para consolidar essa transformação dentro dos hospitais. “Programas de educação continuada e simulações clínicas ajudam as equipes a compreenderem os benefícios do PBM e aplicarem essas estratégias na prática diária. Isso fortalece uma cultura de segurança, inovação e cuidado centrado no paciente.”
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