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Anestesiologia e música de mãos dadas: relatos da dra. Rosa Avilla

Entrevista

23/06/2022

“Nasci cantora e virei médica”, afirma a anestesiologista e cantora Rosa Avilla. A primeira profissão exerce desde 1988, quando se formou na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP). A segunda começou há três anos e já coleciona diversos shows, músicas gravadas, lives, repertório vasto e muitas histórias. Hoje, com 57 anos, a médica conta como decidiu empreender uma nova carreira no meio da pandemia de COVID-19 e compartilha os seus projetos para um futuro próximo, que unem as suas duas profissões e paixões.

De família italiana, aos nove anos Rosa começou a cantar na igreja, local onde recebeu os primeiros comentários positivos sobre seu talento, porém não levou muito a sério. Aos 16, lhe ofereceram uma oportunidade no mundo da música, mas acabou recusando e optou por seguir carreira na medicina, seguida de especialização em anestesiologia.

ROSA 1

Mesmo atuando como médica, nunca esqueceu a sua paixão pela música, mas optou por não compartilhar com os colegas que cantava. Fato esse que fez com que muitos se surpreendessem quando ela assumiu a nova profissão, mas basta escutá-la para que perceber o quanto ela já pertencia a esse universo também.  
Hoje Rosa consegue conciliar a música e a medicina, e sabe muito bem como as músicas afetivas ajudam a acalmar e relaxar o paciente que passará por uma cirurgia. Ela conta que, certa vez, antes de assumir a carreira musical, uma criança de oito meses ia passar por um procedimento cirúrgico e estava bastante inquieta. Ela não teve dúvidas, para acalmar a criança fez o que costumava ser sua rotina com seus filhos: “Peguei a criança no colo e comecei a cantar. Ela dormiu no meu colo antes de eu fazer a anestesia. Foi uma das maiores experiências profissionais que tive na minha vida”, afirma com um largo sorriso no rosto.  
 

Música, medicina, sonhos e pandemia  

Tudo começou há três anos, quando conheceu seu produtor musical, David Pasqua, que sugeriu que ela cantasse e juntos montaram um repertório popular. Em seguida, Rosa começou a se apresentar em algumas casas de shows de São Paulo. Pouco tempo depois, a pandemia de COVID-19 fez com que os espaços tradicionais fechassem as suas portas, mas ela, que já trabalhava mais com cirurgias eletivas na época, resolveu arriscar e tentar algo diferente.  
Rosa, que possui fortes ligações com a Itália por causa da família – inclusive boa parte de seu repertório é em italiano –, decidiu tentar algo parecido com o que eles estavam fazendo: começou a cantar na varanda do seu apartamento e foi um sucesso com os vizinhos. Com esse incentivo, começou a fazer lives musicais duas vezes por semana, que ganharam grande repercussão. Posteriormente, as lives passaram a contar com a participação de seus colegas médicos, que além de falarem sobre assuntos  que envolviam a sua especialidade, também contribuíam apresentando o seu talento na área musical.   
“Eu tenho essa vontade de cantar para as pessoas e, quando a música era muito emocionante, eu acabava chorando muito nas lives”, conta de forma emocionada. “Nós choramos por causa da pandemia, do distanciamento e por causa da emoção de poder pegar esse sonho que morreu lá atrás na infância, e torná-lo realidade”, explica.  
Muito estudiosa e sem medir esforços para alcançar seus objetivos, a anestesiologista-cantora se arrisca em ritmos que vão desde consagradas obras do teatro musical, passando por canções românticas contemporâneas até chegar ao samba nacional, sempre procurando excelência e imprimir a sua identidade em cada ritmo e canção. “Nenhuma apresentação é igual à outra”, diz, garantindo que não há uma música que se repita todas as vezes em seu repertório para os shows.   
 

Planos para o futuro

 ROSA 2A criatividade, versatilidade, talento e força de vontade de Rosa vão além. Seu mais novo projeto médico-musical-social é voltado para o público infantil. “Eu criei a personagem Rosinha do Mar, uma sereia, que recebe cartinhas de crianças doentes e se transforma na doutora Rosinha, que vem para a superfície conversar com as crianças, na companhia de Adolfo, um pet que só a Rosinha entende”.  
O objetivo do projeto é desmistificar o atendimento médico sob a perspectiva da criança. “É conversar com a criança e dizer a ela que a doença não é brincadeira, mas ensinar que podemos conviver com o medo; esse medo que todos nós temos quando estamos doentes”, explica. 


Todo o projeto foi pensado pela médica, incluindo o design das personagens. A previsão de lançamento do trabalho é julho de 2022, contando com músicas autorais que serão disponibilizadas nas plataformas digitais. Com tantas ideias e projetos, fica evidente que Rosa Avilla tem o dom não apenas da música e da medicina, mas também de espalhar sorrisos por onde passa. 

Fonte:

Fotos de Rosa Avilla